Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

fantasma do tempo



Tenho horas de insónias que são vidas
Inteiras por partilhar
Com almofadas e sonhos
Com desejos lúcidos de acordar


Sou um fantasma do tempo
Brisa que se perdeu do vento
E longe se foi urdir

No regaço de um tormento
A romper o firmamento
Sem sentir

E assim, nas horas que foram vidas
A morte ousou prostrar
A minha alma sem rima
…Os poemas no meu olhar…

POETIK

Domingo, Outubro 30, 2011

poema de vento


Tentei ser o vento
E a ventura de o ser
Tentei passar sem passar
Tentei passar sem morrer

Morrer como brisa
Ou coisa vã
Sem a eutrofia da noite
Ou a delicadeza da manhã

Quis ser o vento
Numa sinfonia do abstracto
O colidir dos sentidos
Num poema franco e raro

Quis ser, o que sentindo
Apenas fosse sentido
Livre como a alma
De todo o Ser perdido

Quis ser apenas um sonho
Um sonho gravado no tempo
Mas não fui sonho nem coisa
Que fosse sombra de vento

POETIK

Terça-feira, Outubro 18, 2011

aniversário



“No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
(…)
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
(…)
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...”

15 de Outubro de 1929






FERNANDO PESSOA (Álvaro de Campos) “Aniversário”


.....................




Numa visão breve sobre a vida
A que procurei e a que encontrei
Vivo aquela que quis perdida
Perdida está a que sonhei

Fecho os olhos porque hoje é dia
De soprar um dia mais
Quantos sonhos se apagaram
Por serem sonho demais

É de um Outono meu dia
E a alma que julgo ter
Tão só, tenho de oferenda
Este corpo a morrer

E do rosto que soluça
A lágrima que ninguém vê
Ri o destino que escusa
A vida que mal me crê

É um mar que já se forma
Na turbulência do medo
É um vento em revolta
É um desejo em tormento!

Escondido na escuridão
Abandonado que fui em mim
Estendo a mão e só encontro
Um dia mais do meu fim

E nesta solidão de dias
Memórias de já não vê-las
Sopro da chama de meus olhos
A luz de todas as estrelas

POETIK

 
                                                                                                         






















Domingo, Outubro 16, 2011

nessun dorma




...não esta noite que chora!
Esquecido que fui, vagueio
Vento no nevoeiro.
Funesta hora!

Vencerei! Se rei for, da fantasia
Se da memória me sobejar vida
E reinar em ti!
Vencerei!
Entre a penumbra e as estrelas
Entre os mares e as veredas
Descortinarei
Teu olhar singelo.
Colher-te-ei entre o belo
E no fim, esquecido que fui
Vencerei!

Ninguém durma!
Não esta noite pura
Onde por amor cairei
Sem nome nem luz da lua
Ó noite, ó noite
Vencerei! Vencerei! Vencerei!!!

POETIK

Domingo, Outubro 09, 2011

obscuridade



Tão obscura quanto a noite
É, a imensa solidão
Penetra em nós e em nós fica
Como farpa de ilusão

Porque tinge o corpo e a alma
Do mesmo sangue que tinge
As lágrimas e a chuva vasta
Do que é sonho ou do que existe

poetik
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