sábado, outubro 23, 2010



Quando se extinguir o elixir
De tudo o que tem que partir
Deste volátil estado
Em que memória futura
De uma outra conjuntura
Se anulará o passado?
***
Somente te direi adeus
Talvez num gesto, talvez menos
Talvez como divindade que perdi
De tantos estorvos terrenos

Ou talvez a terra me trague simplesmente
Como a carne emancipada me tragou
A alma, dependente da carícia
Que meu fado ignóbil extravasou

Somente deixarei
Este reino, nunca meu
Este reinado sem lei
Este, que nunca fui eu

Somente te direi adeus
Se é que algum dia eu vim
A este mundo tão teu
A este adeus, tão sem mim

E deste lugar de onde partem os sonhos
E os corpos ressequidos do tempo
Somente um fim ditará
Se foi real o sinal ou rebeldia do vento

E lá, para onde for este de mim
Bem para lá, dos olhos teus
Talvez o gesto (ou menos) fique
Desse conceito de adeus

POETIK

2 comentários:

Angélica Lins disse...

Despedida?
Espero que não.

A coisas que estão a cochilar.
Precisa apenas de poesia para acordar.

Ana Paula disse...

Nunca um Adeus....
Sempre um Até breve!

Na memória,
Um gesto, escrito
Palavras,sons que ocupam vazios
Que turvam a voz.
Talvez...ainda não tenhas ouvido, Que os gritos de um estar ausente
Vive, numa saudade distante.
Fica bem poeta.
Bjinhos e bom fim de semana.

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