domingo, setembro 25, 2005

palhaço



Palhaço, herói do meu espelho
minha máscara de fé
avesso da minha dor
a minha morte de pé

na boca, vermelho de sangue
nos olhos, o negro que a loucura espera
no rosto, o branco vazio
das cores que à vida se nega

uma lagrima no canto do olho
e nos lábios um sorriso
p’ra esconder a minha alma
p’ra pagar o meu castigo

e depois... depois é só pular,
cantar, brincar, eu sei lá...
mas sem nunca mostrar ao espelho
o espelho, do lado de cá

in «Poiesis» 1999

jorge@ntunes

4 comentários:

mar_praia disse...

Quantos de nós não somos como o palhaço... Felizes por fora e mortos por dentro!

Mais um excelente texto...
Beijinho enorme e até já ;)

ângela disse...

obrigada pela visita, porque me fez descobrir este blog fabuloso. vou voltar, apesar do pouquíssimo tempo.
sinto-me bem aqui.:)

Lina disse...

Bom dia Jorge!


...e somos tantas vezes palhaços na vida, vezes demais até.
Bom começo de semana
Beijo


p.s.não vais precisar de sentir saudades que eu não vou fugir e sp que precisares já sabes, apita como o kimbóio eheheh

batista filho disse...

O palhaço, criado para fazer brotar o riso no rosto de cada um, à despeito de estar ou não a rir é, talvez, das criações humanas das mais fantásticas!... por trazer em si a realidade de todos nós, às vezes ter que aparentar algo distinto do que estamos a sentir.
O teu poema belo, belo tributo à figura do Palhaço. Um abraço fraterno.

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