domingo, fevereiro 01, 2009

incógnita



Não sei falar de mim
Nem sei o que vos dizer
Tive tão pouco de vida
Tenho tanto de um sofrer

Que importa o que vos diga
Que sentido a mim fará
Eu não sei falar de mim
Nem este poema o será…

Sei que amei
Sei que chorei
Porque sem dor
Não há amor

Sei que pequei
Sei que voltei
Sempre ao braços
Dessa dor

Também sorri
Também escrevi
Alguns sorrisos fingidos
Em poemas que senti
De versos em mim perdidos

Sou de um povo
De um país
De um sonho inacabado
De um nunca se ser feliz

Sou da raça
Dos que sentem
Em cada esquina a desgraça

Mas que acredita sempre
Quando chora, quando sente
Que amanhã o medo passa

E se outrora fui embora
Se tantas vezes parti
Fui sempre o que sou agora
E eu nunca fui daqui


E este existir que corrói
Este poema que dói
Esta lágrima que corre
É a de um rio que foge
É a do sonho que mói

Esta vida que é tão pouca
E que aos poucos assim me morre
É sempre muito mais forte
É sempre um início do fim

E isto é, tudo o que sei
Pois não sei falar de mim…

jorge@ntunes

2 comentários:

M. disse...

Não saber falar de nós acaba por ser virtude. seremos sempre mais serenos do que as linhas do nosso verbar. aqui navega-se em desilusão, num país que já não promete esperança nem deixa sonhar. e realmente a vida é pouca de tão curta.

abraço
de esperança à frente.

@lexis disse...

E que bem falas de ti quando dizes que o não fazes ...

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