domingo, abril 27, 2008

poema sem nome




Passam as horas, os dias
E a cada minuto que passa
Menos humano me sinto

A cada dia me afasto
Deste lugar nefasto
Deste mundo sucinto

Desço umas escadas
De onde não vejo o fim
Desço quase da alma
Meu corpo morrendo aqui

Não sei mais como subir
As escadas que hoje desço
Tenho medo de partir
Mas desço, desço, desço

Cansado, arrastado no tempo
Rendido
Desço as escadas que desço
Perdido

Vou tacteando o que resta
O que resta ainda vida
Vou, sentindo sobre meu ombro
O hálito da despedida

Deixo apenas sonhos
Desejos que não viram a luz
Deixo apenas sombras
No abismo que me conduz

Mais uma vez o amanhã
É um acordar que me sonega
Que me contrai até ao nada
Que a paz do sono me leva

Como uma parábola
A vida foi rindo de mim
E eu, rindo dela, não percebi
Que foi sempre ela, rindo no fim

jorge@ntunes

4 comentários:

Geminiana disse...

Como sempre, extremamente bem escrito,porém, muito triste.Perdo-me,não gosto quando publicas algo assim tão triste.Confesso que fico com o coração apertadinho.É sério, fico aflita as lágrimas a correr. Se eu puder fazer alguma coisa, conte comigo.ADORO-TE!
Avante!Meu Anjo!

Deixo-te mil beijinhos recheado de muito ânimo :)

Fica na Paz!

Carla disse...

mesmo quando a vida se ri de nós...ficamos contentes por ela estar connosco!
Mesmo nas sombras há paz e beleza nas tuas palavras
gostei muito
beijos

DDF disse...

Com poemas destes as escadas são sempre a subir :)
Muito triste, muito bom.
(gostei mto de todos,refiro-me a estes últimos nove, especialmente do "sonho negro")
bj
D.

Paula Antunes disse...

Não gosto de te sentir assim sempre tão negativo.

Canta, dança, ri, chora, sê feliz enquanto à vida...depois já não vale a pena, já não faz sentido.

Beijos

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