segunda-feira, setembro 04, 2006

play movie



Dirão, dirão sempre
Como se o sempre fosse recto e concreto
Dirão no fim... projecto
No sentido contemplativo da palavra
Ninguém em verdade aceita
A verdade que se rejeita

A nossa verdade
É uma ambiguidade
Apenas porque assim a queremos
Aceitar a verdade
é morrermos

Queremos morrer... temos de morrer
Outra coisa não nos resta
Mas morrer heróis
Vedetas de outra aresta

Se a vida fosse gravada
Num filme fiel
Sem contornos
Apenas real, apenas cruel

Se não se pudesse esconder o que fomos
Se o que fomos não fosse o que desejámos
Mas não pudéssemos ser mais que nós
Seriamos espasmos?

Seriamos absurdo
Uma vontade que não somos nunca
Nunca olhamos dentro de nós
Em todo o medo que nos consuma

A verdade é apenas a realidade
A realidade não é humana
Humanamente ninguém a quer
A humanidade é docemente desumana

Descarne de si mesma
Porque não se aceita
Nasce, vive e morre
À sua maneira

Quero ser humano
Não recorrer ás lapides vivas do pensamento
Quero ser, e não posso ser
Esse humano apenas vivo do momento

Decadente me elevo
Ciente de morrer quase só
Ah.. que laivo de vida me dariam
Amarem-me apenas pó!!!

Mas amarem-me seria terem-me todo
E todo, sou o humano que ninguém quer
O humano que ninguém se vê
O humano de não me ter

Morrer é a consciência de ter nascido
Apenas isso
Tudo o resto é uma mentira que não se reconhecerá
Viveremos apenas andando um caminho
Que longínquo, breve nos chegará

lembrem isto...
Dizem-nos que choramos ao nascer
Vivemos a chorar e a sorrir
Não lembramos o chegar
Partimos lembrando a alcançar
O que perdemos sem fazer ao partir

Irei só porque só me quiseram uns instantes
Do uso caio já em mim
Em queda livre, tão livre
De ficar preso no fim

Pudesse-mos nós antes de partir
Ver a película da nossa vida e pasmar
Numa sala escura, vazia e fria
E de medo e vergonha chorar

jorge@ntunes

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Ambíguo. Como a nossa verdade. Beijos.

Anónimo disse...

se pudessemos ver a pelicula da nossa vida...
veriamos que fazemos sempre os mesmos erros com pessoas diferentes...
que a infelicidade que sentimos é sempre culpa nossa...
que queremos dos outros tudo e damos sempre tão pouco...

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