domingo, setembro 12, 2010





Eu sei da frustração
Da ilusão
Do mau bocado
Eu sei da tristeza
E da beleza
Que passa ao lado

Eu sei dos bêbados
Fingindo a vida
Eu sei da hora
Sempre perdida

Sei das mulheres da rua
Dos poetas da lua
Das virgens pecadoras

Sei da mãe que atura
Sei da amargura
Sei da febre das hormonas

Sei do ladrão das esquinas
Do pregão das varinas
Sei da febre do carente

Sei dos moços que se vendem
Nas avenidas
Das amantes consentidas
Sei dos bichos que viram gente

Sei dos cobardes
Sei dos famintos
Sei das saudades
E dos labirintos

Sei dos que morrem sem nome
Dos que no pó matam a fome
Sei dos que vivem do fado

Sei dos dementes
Dos encarcerados nas suas mentes

Sei do pecado!!!

Mas não sei do reles
Do fingido
Não sei do elaborado
Engravatado
Que sai matando, rindo

Não sei do correcto
Nem do dejecto camuflado
De menino rico
Sem berço suado

Não sei do político corrupto
Nem da cunha ao chefe
Não sei do servo que lambe
Toda a bota que fede

Não sei do hipócrita
Do que come e arrota
E ainda chora

Eu sei de mim por desdém!
Dos outros, não sei, não sabe ninguém!...

POETIK

5 comentários:

Paula Antunes disse...

Não há comentários possíveis, simplesmente "DIVINAL".

Angélica Lins disse...

Que espetáculo!
APLAUSOS...

Coisa boa foi você ter encontrado o Vórtice, pois assim, eu segui teus passos até aqui.

Seja bem vindo!
Beijos

Aмbзr Ѽ disse...

um olhar sobre tudo que guardamos. sobre a vida que passa por nós.


http://terza-rima.blogspot.com/

Lou Albergaria disse...

Isso é que eu chamo de poesia-porrada!!!

Senti um direto no fígado!!!

Valeu! Bom pra acordar nesse domingo tão despretensioso...

Beijo, Meu poeta!!!

Insana disse...

To em delirios.


bjs
Insana

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