
Há na eloquência das palavras
Toda a alma do poeta
É o reverso do sonho
Quando o sonho se revela
Apenas a utopia
Em traços gastos se desnuda
E a palavra sem sentido
Traz a verdade nua e crua
Na sensação da pena adormecida
Escreve-se o louco sonhador
De rimas que são a vida
Memórias que são de dor
E cada lágrima é uma ira
Um vendaval sempre incontido
É entre a bruma a miragem
O poema prometido
Algures escondido nas palavras
Eloquentes, na folha cálida, sadia
Negra tinta, negro sonho
Quanta bruma é a vida…
E depois da escrita feita
Das palavras concebidas
Eloquente é o sonho
Poema que ama as rimas
As rimas de mais não serem
Do poeta ou da palavra
Tornam-se vida e partem
Por entre as brumas da alma…
jorge@ntunes