quinta-feira, setembro 25, 2008

pele




Cravo na terra os dedos
Cravo na alma os sentidos
Rasgo a crosta da terra
A pele dos sonhos perdidos

À deriva
Em busca do norte
Em busca da vida!

Atraco a um corpo cansado
O meu corpo fraco de ser
Um corpo no tempo parado
Por outro corpo não ter

E o corpo aonde me prendo
É corpo a que me vendo
Por trinta dinheiros de nada

Se afinal eu sou só vento
E só me sinto e me penso
Sombra de uma fachada

Tantos mares já me esqueceram
Tantas rotas, iludi
Tantos mundos me perderam
Em tantas marés eu morri

Breve vai, este ar que respiro
Este olhar que transpiro
Estes dedos que se cravam

Na garganta cujo grito
Soa, a fado aflito
Lágrimas que não me acabam

Mas se sou este fim
Porque me amas assim
Sem mesmo saberes se te amas?

Tu, que cravas teus dedos em mim
Como se eu fosse a crosta da terra
Ou a alma da severa
A pele que em ti reclamas

jorge@ntunes

3 comentários:

Anónimo disse...

Olha eu aqui o/
Meu, nem sei o que escrever - faz tempo que não entro aqui, mas seus poemas ainda me deixam besta, adoro!
mil beijos
que saudade!

Marta

Anónimo disse...

... Porque não és esse fim
És este meu princípio
Porque a cada toque teu
A pele que sei ser tua
Sinto-a como minha ...

@mo-te porque SIM

Anónimo disse...

Explêndido,dizer que gostei é pouco... ADOREI!O mais vc já está farto de saber.Beijinhos ternos:)
BOM FDS..FICA NA PAZ!

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