terça-feira, junho 06, 2006

horas mortas



Que coisas mortas são estas que vivem em mim,
Ao redor de mim?
Por tudo, com tudo, em tudo?...
Que eternidades me esperam no vazio?
Mãe... Sinto frio...

Antes acreditava... Porque não sabia...
Antes... Viver, era, depois de me sentir,
Nos teus braços adormecer

Era sem saber... Morrer...

Vivi a morte no conto de fadas ameno e doce
De uma Primavera que nunca veio
Fui belo, único...
Fui rei, no trono do teu seio

Amamentado dos teus sonhos, sonhei...


Aqui, não há nada mãe... Nada, do que o teu olhar
Me prometeu
Aqui, há, apenas, uma coisa viva
Que não sabe que morreu


Já não me sobras... senão no sonho e no conto de fadas
Nesta morte, já não és viva
E só tu eras em mim
O adormecer da desdita

Amaste-me...
Pois não sabias mais nada...
Do teu amor sobrou
Este que sou,
Em busca de uma alma

Mãe...
Tenho frio...
Sinto-me nu...
E tu?

Vives ainda as nossas horas?

Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac...
Saudades... Tão mortas…

Deixas-te em mim uma fé que não me pertence
E amo-te por isso
Um dia, talvez, venha a ser o que preciso...

Um dia, como em ti,
Não me sobre apenas a realidade...
Não me reste apenas,
A Humanidade...

jorge@ntunes

3 comentários:

Paula Raposo disse...

Definitivamente belo demais! Beijos.

Paula Antunes disse...

A mim também me fizes-te chorar...

E ainda choro...


1 beijo

Geminiana disse...

Um poema muito saudoso.Lindo demais!!!Somente você com esta capacidade pode escrever uma coisa tão bela...Parabéns!

Um beijinho de quem te adoro:)

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