terça-feira, abril 04, 2006

momento insano




Um dia vou acabar...
Imenso demais
Para o que realmente fui...

Imenso...
Será apenas
O que penso
O que em mim se dilui

Não deixarei o meu nome gravado
Serei apenas pecado
Do que sonhei sem fim

Serei pateticamente
Uma memória eloquente
Do que julgaram de mim

Serei apagado
Ou guardado no esquecimento
Num baú bolorento
Um retrato em pó
Soprado ao vento

Dirão de mim...
Num sorriso
Talvez um suspiro
Que sou sonho Shakespeariano

Momento insano
Da realidade

Serei antes que para alguém
Para mim
A minha própria saudade

E apagado o último cigarro
Como quem apaga a vida que resta
Para ser sentida
A cinza será corpo desmedido
Que por entre os dedos
Se perderá...
esquecida...

jorge@ntunes

1 comentário:

Paula Raposo disse...

Gosto muito, muito, deste poema. Beijinhos.

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