domingo, maio 15, 2011



Bobby Vinton - Mr. Lonely
Letra adaptada: POETIK

Só, sinto-me tão só
Entre paredes vagas sem vida
Só, sinto-me tão só
E não encontro qualquer saída
Não sou ninguém que o tempo reclame
Que o vento chame ou a lua chore
Por isso estou só, sempre tão só
Longe de casa e de quem me ame
Nunca, nunca por nunca
Temi o mar que nos rastreia
Mas esqueci, sim, sei que esqueci
De escorar tantos castelos d’ areia
Por isso estou só, sempre tão só
Não sou ninguém que o vento reclame
Por isso estou só, sempre tão só
Longe de casa e de quem me ame

POETIK

sábado, maio 07, 2011





Sim, eu sei do que falo
Quando me calo
Fingindo que não sinto
E vou sorrindo

Vou deixando aos poucos a vida
Meio inacabada, meio perdida
E plo meio sangro
Na pele dos que amo

Sim, eu sei do que falo
Quando me calo
Tentando entender
Se voltei a perder

Hoje deixo-me ficar
Entre o voo e o olhar
Vou tacteando às cegas
Por entre a luz e as trevas

Mas não me encontro…

De encontro ao vento desta hora
Tudo o que passa me trespassa
Sim, eu sei do que falo
Mesmo quando tudo me cala…

POETIK

sexta-feira, maio 06, 2011



Quase escrevi o destino
Na pele, no caminho
Na ausência de mim
Cheguei tarde, fiquei sozinho
Nunca mais fui menino
Nem homem, eu fui no fim

Abri as janelas ao vento
Deitei-me no tempo
Deixei-me ficar
Parti rumo ao deserto
E só estive perto
De sentir o mar

Agora é tarde e não tarda
Que a hora madrasta
Me cobre no fim
Agora é tarde e não tarda
Que esta vida farta
Se farte de mim

O que chorei
Entreguei
Numa bandeja de lata
Onde pequei
Eu deixei
Aos poucos, a alma

Agora é tarde e não tarda
Que à porta fechada
O meu mundo padeça
Agora é tarde e não tarda
O fim da estrada
Que me aconteça

Quase escrevi o destino
No meu desatino
No sonho de outro
Parti rumo ao deserto
E nas areias do incerto
O que fui soube-me a pouco

Fechei as portas do tempo
Deitei-me no vento
Deixei-me ficar
Rumei ao deserto
Mas não cheguei perto
De lá me encontrar

Por agora dormito
Entre a lenda e o mito
Entre o sonho e a vida
Depois, quem sabe acorde
E já não viva, nem chore
…ou talvez consiga…

POETIK

quarta-feira, abril 27, 2011




Meu amor partiu um dia
Entre o céu e a maresia
E este destino magoado
Foi no vento, foi no mar
Foi para lá do olhar
Que, já chorava, este fado
Que, já chorava, este fado

Ai, que saudades de ti
Não foras tu meu degredo
Meu último porto de abrigo
Vê que sem ti me perdi
Na solidão e no medo
Nos braços deste castigo

Foi nesse dia primeiro
Nesse adeus derradeiro
Em que a lua me abraçou
E me tingiu de poeta
Poema que em parte incerta
Com o teu corpo rimou
Com o teu corpo rimou

Mas que fado é meu fado
Que desencanto me toma
Que loucura me desgraça
O chão que piso é molhado
Do voo dessa gaivota
Que poisa nesta guitarra

Gaivota que mal consiga
Trazer-me de novo a vida
O amor que o mar me levou
Traz em si a tentação
Nas penas a ilusão
O Fado que em mim, ficou
O Fado que em mim, ficou

FADO PORTUGUÊS (AMÁLIA)

letra: versão de POETIK












sábado, abril 16, 2011



Pudesse eu acreditar
Que apenas me bastava crer
Que com um simples olhar
Não me deixava perder

E só de ver e sentir
O céu pudesse carpir
Um novo mar para mim
E lá, me achasse ao de leve
Entre o desejo e a pele
Entre as memórias do fim

Pudesse eu acreditar
Que o tempo é só um lugar
Por onde passo ser querer
Eternamente criança
A cruzar sonhos com esperança
Num ameno entardecer

E não me deixava perder
Neste outro distante mar
Onde não basta apenas crer
Pudesse eu, acreditar…

POETIK

quarta-feira, abril 13, 2011



Serei, uma serenata à chuva
Nos teus braços a tontura
Na tua voz a palavra
Serei, todas as fases da lua
Velando essa alma nua
Coberta de amor, e mais nada

Serei, todas as formas do vento
Todas as horas do tempo
Todo o tempo que não volta
Serei, talvez escravo, talvez rei
Desse sonho que inventei
Ao entrar por essa porta

Serei, a candeia nos caminhos
De encruzilhados destinos
De uma qualquer vereda vã
Serei, o passado e o presente
Ou esse futuro somente
Que tarde em algum amanhã

Serei, gaivota que livre poisa
Sobre um mar de outra coisa
Que não de lágrimas e de fado
Serei, o poeta dos sentidos
De todos os versos perdidos
Que dispersos, em mim trago…

POETIK

segunda-feira, abril 11, 2011



Estou preso a este livro da vida
Onde me rescrevo ou rasgo
Onde em cada página em branco
Poema me traço

Tivesse eu da felicidade, a hora
O maternal embalo do seu colo
O seu peito firme, idolatrado.
Tivesse eu da hora, a felicidade
De ser homem em plena glória
Ser a ave que poisa no solo
Larga docemente seu fado
E alça voo em liberdade

Tivesse eu a memória viva
Dos gestos simples da vida
De todas as horas que contam
Na hora que vem perdida
Na hora enaltecida
De quantos sonham

Ah tivesse eu da felicidade o assombro
Ou simplesmente o seu ombro
A sua mais doce ou piedosa palavra.
Tivesse eu a hora das horas
A grandeza de todas as trovas
A plenitude da alma

Tomaria banhos de lua
Sobre a tua pele nua
Neste delírio de ter
O toque de felicidade
Desse corpo sem idade
Que me urge apetecer

Parem o tempo e o vento
Quiçá me bata à porta
Um pouco desse momento
Um pouco da vera hora…

POETIK

quinta-feira, abril 07, 2011



Não sei porque chove
Nem porque me molha a chuva
Não sei porque me molho…
Pergunto-me, se saberei que chove…

……….

Espelho deformações e névoas
Imagens invertidas do tempo
Reflexo como que fundido na tela
Lágrima de uma janela
Onde chove e roça o vento

Alucino!
E da febre enganosa, gelo!
Como um “nom de plume”
Eternamente no prelo
Fugindo de mim
Fugindo ao destino...

Não sei porque chove
Nem porque me arrasta o vento
Talvez delírio da morte
Ou da vida em que me invento…

Quantas lágrimas fazem a chuva?
E porque dá ela o sopro da vida
A este corpo que se ergue
Carne, sangue, poesia?…

Pergunto-me se saberei que chove
Se é de mim, se é da sorte
Este fado que desnudo
Será vida de outra morte
Que ao passar mal se importe
De ser este nada que é tudo?
........
Fumo mais um cigarro
Onde me afogo e apago
Nas cinzas disto que escrevo
Lá fora, cai um poema
Cai o poeta e a pena
Cai a chuva, cai o vento…

POETIK

sábado, abril 02, 2011



Raras são as horas de lucidez
As únicas, deveras loucas
Raras, de tantas,
Se acharem poucas…

Por entre os escombros pérfidos
O universo retalia
Dando aos poetas a lua
Aos demais, o sol do dia…

E, que estranheza tamanha
Ser gelo, ser chama
Ser vida e morte
Entre pensamentos pasmos
Que raros
Ditam a sorte...

Entre mim
E esse banco de jardim
Onde ouso às vezes sentar
Há um todo de vazios
Lágrimas a que chamo rios
Almas a que chamo mar

E lá, nesse banco aonde me sento
Escrevo nas folhas do vento
As raras horas que vão
Em voos cegos poisar
Num qualquer lúcido olhar
Louco de tanta ilusão…

POETIK

quarta-feira, março 23, 2011



É árido o vento que passa
E de sangue o olhar que fica.
Vem num cavalo branco o tempo
Trazer-me novas da vida.

Em pergaminho lacrado
A negro vem escrito o fado
Na pele suada e gasta.
Só a alma se contorce
Como a rejeitar, a morte
Que doce me chega casta.

Levito qual nuvem branda
Que cobre o sol ou o universo
Que um dia em lágrimas se desfaz
Sobre algo, incolor, perverso…

Sorvo o pó da terra
Seco inferno na garganta
Quando grito, já não grito
Sou vento que se levanta…

POETIK

quarta-feira, março 09, 2011


Então a vida é isto? Este suplício de andar?
Este caminhar às avessas
Este lugar de trevas
Este amargo paladar?

Esta ponta de cigarro
Como falo que se extingue
No inferno da carne
Que se impinge

Porque me regem sonhos de vento?
Porque me desinquieta o tempo
E a pena?
Que fado me canta a sorte
Que berço me embala a morte
Voz, outrora serena!

Que importo eu?!
Se meu, fui só um dia?!
Se o universo descansa
Como verso de criança
Que mal sabia?! ...

Que fé desconheço
E aonde me apeteço
Estar?
Que coisas teço
Quando o medo
Me leva ao mar?

E o mar?!
O que é?
Senão abismo sem pé
Como um ventre!
Gélido, gélido…
… Quente! …

Que inferno paralisante! …
Que instante raro de lucidez! …
Que fera, que anjo…
Desta vez? …

Tenho sede, tenho fome…
Apenas não sei
Se de vida, se de morte…

POETIK

domingo, março 06, 2011


Temo que saibas que sou
Vento
Um suspiro do tempo
Que tarda findar
E que de temeres a vida
A julgues esquecida
No fundo do mar

O mar das ideias, que traço
No rosto
Da lágrima surda
De ter o teu gosto
A sal e a fel
Do vago momento
Em que temeste o feito cruel
De todo eu ser vento

Temo partir
Sem ver, sem sentir
O que sinto por ti

Saber, que sem querer
Me deixo morrer
De onde parti

Só para chegar
Como este poema
Ditado da pena
Que rascunha o mar

POETIK

domingo, janeiro 23, 2011




Sempre que chove, não chove
Dentro de mim que sou chuva
Ou essa nuvem que envolve
O mar, minha sepultura

É negro o fado da vida
É negra a vida que falo
Que canto na despedida
Que canto apenas num fado

Que apenas ele me contempla
Que apenas ele me escusa
Se sou da gaivota a pena
Que solta se perde na chuva

E dentro de mim quando cai
A nostalgia da hora
Puxa-me o vento, se vai
Na pena de outra memória

Sempre que chove, não chove
Dentro de mim que sou chuva
Sou essa nuvem que sobe
Ao céu de outra loucura

É negro o fado da vida
É negra a vida que falo
Que canto à revelia
Quando canto, quando calo…

Que apenas ele me contempla
Que apenas ele me recusa
O voo com que me acena
Esse adeus que vem na chuva

POETIK

sexta-feira, janeiro 14, 2011


Pergunto por ti ao vento
E o vento nada me diz
Diz-me talvez um lamento
Que sou o vento que quis

O vento que passa ao lado
Do vendaval que me és
E seja eu mera brisa
Que breve cai a teus pés

E que despojado de vida
Mal te consiga prever
E tu, que és vento, não brisa
Me soltes no vento a perder

E eu, mais que isto não seja
Senão um breve bafejo
Em colisão com o nada
Do sonho que amo e beijo

Sonho que mal povoa
Os céus do teu intento
E sejam meus lábios nuvens
Que nunca beijaram o vento

POETIK

segunda-feira, janeiro 03, 2011



Sempre que a chuva cai
É um céu que se esvai
Derramando meu corpo
De outra saudade


Sinto que sentir não basta
Que casta a hora me foge
E me deturpa
Que o vento passa
E não me escuta
Que apenas sussurra
E se arrasta

Não importa se fico ou se parto
Sou um sonho gasto
Que me usou
Que me tomou abstracto
Me deu alma e lastro
E se findou

Sempre que chove
O dia morre
A noite chora
Aqui
Como lá fora
Ou apenas em mim…

Não importa
Abro a janela
Abro a porta
Deixo que vento me iluda
Me leve para lá da vida
Me jogue no meio da rua

Não importa se fico ou se parto
Estou farto! Estou gasto!
Sinto que sentir já não me basta
Hoje chove
Nada morre
Apenas acaba!...

…sempre que a chuva cai
É uma saudade que se esvai…

POETIK

sábado, janeiro 01, 2011



Apaga esse poema
Rasga a folha e o vento
Não me avistes, não me toques
Toma-me apenas no pensamento

O vento que rasgares será
Só vento
Para lá de mim
Para lá do tempo

Deixa que seja tua memória
Que seja assim eterno
Na eternidade do sonho
No inicio e fim do verbo

Alcança meu corpo farto
Num poema que te deixe nua
Sê meu sol
Sou tua lua

Abraça-me apenas
No desejo
Meus lábios são teus lábios
Tua boca é o meu beijo

Apaga esse poema
Esse que escrevi na tua pele
Rasga a folha e o vento
Que longe te leve

Que perto te deixe
Sempre de mim
Toma-me apenas no pensamento
Deixa-me no fim

Que eu, sou só o vento
O vento que por ti passou
E na eternidade do sonho
Em poema te inventou

POETIK

sábado, novembro 13, 2010



Tão perto de ti
Tão longe de mim…

Bordado a linho
No desalinho do teu pensamento
Algures, entre a vida e o fim
Tão longe de mim
Tão perto de ti
…Quanto o vento…

Não sei quem sou
Se para onde vou
Não sei
Se o que sei nunca bastou
E o que bastou
Não encontrei

Sei de ti
Se de ti sei…

Urge um poema qualquer
Poema-lágrima, poema-mulher…

Um qualquer verso…
Um universo
Em jardim
Que eterno
De ti esteja perto
Mesmo que, tão longe de mim…

POETIK

sexta-feira, novembro 12, 2010



Sei de uma vez
Que o meu olhar se perdeu
Nesse olhar teu onde o sol
Amanhecia sem céu
E as estrelas tal como a lua
Eram dias, eram prendas
De outras luas outras estrelas
Outro céu, outra loucura

Meu amor
Dessa vez que sei
Que me entreguei
E beijei a tua boca
Com um poema que trazia
Como gesto de alquimia
O prazer de ser tão pouca
A nossa vida

O teu canto preso no peito
E nesse leito
Vivia
Como ave
Enclausurada
Nesse mar de incerteza
Uma tristeza
Um quase nada…

Meu amor
Sei de uma vez
Que o meu olhar se perdeu
Nesse olhar
Para ficar
Também ele
Preso no teu

E sem depois
Fomos nós dois
Num outro acontecer
Presos no devaneio
Voo certeiro
…amanhecer…

POETIK

terça-feira, novembro 09, 2010



Temo acordar!
Como se tudo fosse inerte
Para lá do sono
E do sonho breve

Na brevidade do eterno
Na eternidade do Nada
Que o corpo carrega
Do peso da alma

Da alma que pesa
Nos pratos da vida
Os sonos, os sonhos
Que foram de um dia

Esse acordar
Insigne, inerte
Para lá do sono
E do sonho breve…

POETIK

domingo, novembro 07, 2010



Talvez nos confins dos derradeiros ósculos
Eu guarde o teu espírito matizado e puro
Talvez conserve em mim o prodígio intrínseco
De quem no passado ousou presumir o futuro

Talvez consinta sentir
E ao sentir me consinta Ser
E no derradeiro gemo de vida
Quiçá, viver…

Permanecer um dia mais no infinito nada
Esse nada do todo em ti incessante
E por uma imortalidade vulgar
Estremar o enleado desse instante

Talvez chova nesse dia
Uma chuva que lave a alma ou a dissipe
Ou a torne, quem sabe, outra chuva
De outro céu deveras triste

Talvez uma primeira vez
Do mesmo desejo
Passado, presente, futuro…
…puro beijo…

POETIK

sexta-feira, novembro 05, 2010



Pernoito absurdo em teu colo
Em teu poema indecifrável
No afago promíscuo e sedutor
O desejo agridoce, impenetrável

Sabes-me a solidão e a vento
E ao mar que te deixei
Em lágrimas. Nesse colo
Que absurdo, não chorei

Que não chorei nas sombras
Que pernoitam sem afago
No desejo do poema
Promíscuo e raro

Não sei se acordo se adormeço
Se calmo estremeço em ti
Esta dissonância

Não sei tampouco se te pertenço
Solidão e vento que aqui
É fragrância

De flor que já não és
Caída a meus pés
Um dia

Pernoito absurdo em teu colo
Porque logo
Não sou mais vida

POETIK

terça-feira, novembro 02, 2010



Ao Homem, deus deu o livre arbítrio. Ao universo metafísico a eternidade. Para a seu tempo corrigir deus.

POETIK

domingo, outubro 31, 2010


Entrei, apenas para provar um pouco de ti
Tomar-te pelo cálice da vida
E recostado saborear-te
Trago a trago, e em cada um, a despedida

Pões uma música de fundo
E a garrafa do meu lado
A luz impõe-se baixa
Assim manda ouvir-se o Fado

Faz-se um brinde entre nossos olhares
Um trago mais dessas palavras
As que no Fado nos tocam
As que nos tocam caladas

A sede mistura-se com a fome
Num prato frio que serves a tempo
De calar outras palavras
Outra fome, outro intento

E o Fado gira num perpétuo movimento
Como o vento que lá fora já fustiga
Os corpos desventurados
As almas da própria vida

É tarde. Quão tarde, pode ser cedo!
E cedo ou tarde se cede
Ao trago de uma vontade
Que se dá, que não se vende…

A garrafa vazia fala
Que é hora de outro fim
De outro vazio a saber
Em lençóis de prazer e cetim

E os corpos sintonizados
Enlaçados nesse quarto
Saciam-se intemporais!
…Tudo é cio, tudo é fado…

POETIK
















sábado, outubro 30, 2010




Tudo é uma moda!
Até a vida o é…
A uns cabe, vivê-la
Aos outros, morrer de pé…

Inerte fica o destino
Entre o lapso e o concreto
Se é vida o que respira
Se apenas é objecto

Articulado lá do alto dos céus
Ou dos baixios do tormento
O sopro que vem do corpo
A alma que vem do vento

Tudo é uma moda!
Até a morte o é…
A uns cabe, perdê-la
Aos outros, erguer por fé…

POETIK


sexta-feira, outubro 29, 2010



Passei por ti e não eras tu
Era outro dia, e tu, eras outra…

E assim, ao ver-te, abracei-te
Porque era outro dia, e eu, era outro…

E tu, que eras outra, noutro dia
Desviaste o meu abraço…

E eu, e tu, que não éramos nós
Éramos outros, num outro dia
Chorámos as mesmas lágrimas
Desse ontem, que só hoje, acontecia…

POETIK

leia também "porque respiro..."

quinta-feira, outubro 28, 2010



Era uma vez…
… uma outra vez… em que espertei
Numa aparência de dia
E vivi por engano breve
Algo a que chamam vida…

E era algo entre o respirar e uma lágrima
Entre um sorriso e uma dor
Tinha tons de angústia e ressentimento
Mas também lapsos de amor

Tinha coisas como o vento
Tinha coisas como o mar
Tinha momentos de sol
Noites doces de luar

E era algo entre o ser e o nada
Entre a inércia e a aventura
Tinha laivos de glória
Tinha rasgos de loucura

E desse meu despertar
Que breve me sonegou
Quase que pude tocar
O sonho que me inventou

Mas como num conto de fadas
O final que afinal ninguém nos diz
Voltei ao meu sono… morri…
E vivi, para todo o sempre, feliz

POETIK

leia também "porque respiro..."

quarta-feira, outubro 27, 2010



Pergunto mas ninguém sabe
A que sabe esta saudade
Este sentir abstracto
Este sonho que não dorme
Esta sede, esta fome
Que nunca nos passa ao lado

E porque é sempre no sofrer
Que a pena vai percorrer
A rima mais bela e serena
Que de lágrimas se revolta
Nessa tormenta sem volta
Que desponta em poema

Pergunto e ninguém sabe
Em que destino nos cabe
Não caber a ilusão
Há quem diga que é o Fado
Ou um sentir abstracto
Que só sabe o coração

POETIK

leia também " porque respiro..."

segunda-feira, outubro 25, 2010



Diz-me o vento que passa
Que tudo passa no vento
Que tudo é apenas sombra
Das sombras que manda o tempo

Que tudo se esvai e regressa
Na pressa que acentua
Um-não-sei-o-quê de desvario
Que nenhum vento atenua

Que a vida é um fracasso de glórias
Um livro vago de memórias
A eternidade de um momento

Que são alma e corpo consentidos
Para deleite e ego dos sentidos
Mas um raro e frágil vento

POETIK

domingo, outubro 24, 2010




Lua do meu desassossego
Do meu ergástulo canto negro
Lividez da minha sombra
Minha Augusta sinfonia
Luz de todo o meu dia
Que no mar Hercúleo desponta


Que seculares tentações
Que redundantes inquietações
Te foram choradas em sangue
Quantas foram as castas ilusões
As derradeiras traições
Do perpétuo amante


Quantas faces tuas transpuseram
As faces que não puderam
Eternamente mascarar
Tantas lágrimas que fizeram
Rios que loucos quiseram
Ser cada um, um só mar


Que Lírios e Nenúfares
De outros sonhos, outros mares
Ainda te poisam serenos
Em incautos despertares
Olhos de outros olhares
Saudades de outros ventos


Lua dos meus versos incontidos
Dos meus desejos sentidos
Que de escassa me és tormenta
Ninfa dos meus delírios
Dos sonhos que guardo vivos
No eco deste poema

POETIK



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